
Encontro entre Raimundo Colombo e Bernie Ecclestone no final de novembro no Beto Carrero. Foto: Assessoria/BCW
O projeto de autódromo (o que já tem lá é um kartódromo) no Parque Beto Carrero World, em Penha, com traçado desenhado por Herman Tilke voltou a pauta hoje. Isso porque em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, deu um ultimato à São Paulo. “Este ano não espero mudanças. Mas se o autódromo não estiver na condição que a F1 necessita em 2014 não iremos a São Paulo”. É mais uma das séries de ameaças que o cartola faz há muitos e muitos anos a Interlagos e que nunca foram cumpridas. Além da Penha, Ecclestone citou o projeto de autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro. Ambos só existem no papel.
A grande bronca do “mundo da Fórmula 1″ com São Paulo é que há um projeto de reforma e modernização de Interlagos. A principal delas é a mudança da área do Paddock (onde ficam as estruturas das equipes). O problema é que esse projeto feito pela SPTuris está orçado em R$ 120 milhões para sair dos cofres da prefeitura. O projeto foi feito na gestão de Gilberto Kassab, que não deixou o valor previsto no orçamento, e o atual prefeito Fernando Haddad descarta custear essa obra.
Ao que parece, as ameaças de Ecclestone continuam sendo apenas pressão sobre São Paulo. Até porque a Fórmula 1 vai muito além do autódromo e precisa de uma estrutura imensa que a maior e mais rica cidade do país tem dificuldade em manter. Mas como a F1 é antes e sobre tudo dinheiro, não é nada impossível a vinda para Santa Catarina.
Eu, como morador de Santa Catarina há 20 anos e jornalista esportivo, adoraria ver o maior evento automobilístico do planeta aqui pertinho. Mas são milhões e milhões de reais por ano, portanto, sou contra investimento direto do Governo do Estado nisso. Pode ajudar com incentivos e mais ainda, investindo na cidade de Penha e na região, que precisariam ter maior estrutura para receber um evento desse porte.
A pista, sua manutenção e melhorias TÊM que ser bancadas exclusivamente pela iniciativa privada, pelo Parque Beto Carrero e outras grandes empresas sediadas na região. A maioria das corridas da temporada tem nomes com patrocínios: F1 Rolex Australian GP, F1 Petronas Malaysia GP, F1 Gulf Air Bahrain GP, F1 Etihad Airways Abu Dhabi GP… Para aumentar os argumentos contra o uso de dinheiro público nisso, o GP do Brasil é da (não só transmitido) Globo, que comprou a International Promotions, que organizava a prova.
Deixo abaixo alguns trechos selecionados por mim do post “Pingo nos is”, do jornalista Flávio Gomes, no site especializado Grande Prêmio. Flávio acusa o correspondente do Estadão, Livio Oricchio, de ser “assessor” de Ecclestone nesse assunto. O post completo pode ser lido nesse link.
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Eu, pessoalmente, sou contra a Prefeitura fazer um paddock novo que só servirá para a F-1. Quando alguém vai rezar uma missa ou fazer um show em Interlagos, se encarrega de montar o altar e o palco. Se a F-1 acha os boxes de Interlagos feios e cafonas, que faça outro por sua conta. A estrutura serve perfeitamente ao automobilismo nacional e internacional. Não fosse assim, a F-1 não correria lá desde 1990.
OK, os autódromos mais novos são lindos e exuberantes. Mas e daí? Desde quando lindeza e exuberância, luxo e extravagância, sofisticação e frescura devem ser padrão para o planeta inteiro?
O GP do Brasil pertence à TV Globo, que comprou a International Promotions, empresa que organizava a corrida. Assim, a Globo que construa seus boxes novos, e que cuide deles. Há outras prioridades na cidade para os estimados 120 milhões da reforma orçada por Kassab e, repito, não incluída no orçamento de São Paulo para 2013. Eu prefiro que esse dinheiro seja usado, por exemplo, em uniformes escolares. Ou em corredores de ônibus. Ou em urbanização de favelas.
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Há uma chance de o GP do Brasil sair de São Paulo e ir para Santa Catarina? Sim, se fizerem um autódromo lá. Se o povo catarinense aceitar uma despesa da ordem de milhões de dólares para construir m autódromo que será usado duas ou três vezes por ano. Está sobrando dinheiro lá? Não sei, não me diz respeito. Não faço lobby nem a favor, nem contra corrida em lugar algum. Não é esse o papel do jornalista. Se a F-1 deixar Interlagos, paciência. A Prefeitura continuará tendo a obrigação de manter seu autódromo em boas condições para tudo que acontece lá. São Paulo, a cidade, não vai morrer por causa de uma corrida. Qualquer bom show de rock traz mais gente à cidade do que o GP. É uma falácia essa história de que entra uma fortuna nos cofres públicos graças à corrida. É apenas mais um evento, para 50, 60 mil pessoas, que acontece todos os anos. Legal, claro. Eu adoro e me orgulho, como paulistano, de ver a F-1 aqui. Mas não quero pagar a conta para que ela aconteça. Quem ganha com o GP que se encarregue de viabilizar sua permanência.
E, sinceramente, prefiro o calor humano e a bagunça de Interlagos aos jardins de Xangai. Caguei para os jardins de Xangai.
ATUALIZAÇÃO (18h30 de 16/04): Matéria do Diário Catarinense dessa terça-feira traz uma entrevista com Alexandre Fernandes, que depois de ser desligado da secretaria de Articulação Internacional do governo do Estado virou “Interlocutor voluntário” entre o Governo Colombo e Ecclestone, onde ele diz que o chefão da categoria tem interesse na corrida em Penha, independente do futuro de Interlagos. Poderia ser uma segunda corrida no país e ela receberia o nome de GP do Mercosul. Lembrando que não é uma fala direte de Bernie Ecclestone e sim de um interlocutor. Faço questão de frisar que não estou duvidando da informação, muito menos da matéria de Cristiano Rigo Dalcin, apenas acho importante lembrar esse ponto.
Ainda nesta terça-feira, porém no período da tarde, o site Grande Prêmio publicou uma notícia com a entrevista do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, À Rádio Jovem Pan. Nela, Haddad foi taxativo e descartou a possibilidade de Interlagos ficar fora do calendário. “Isso está encaminhado. Eu já mandei há mais de um mês uma carta me comprometendo com a reforma do autódromo”, declarou o prefeito.